Por que o seu cérebro insiste que "não tem outro jeito"

Uma pergunta, feita no meu primeiro processo de coaching, me mostrou que o impossível quase sempre é só um caminho que a gente ainda não enxergou.

Quando decidi tirar um sabático da medicina, eu estava grávida da minha segunda filha. Era o momento em que a razão pedia segurança, a vida já estava atravessando mudanças e o mais sensato era não mexer em mais nada.

De fora, ninguém via problema. Era uma profissão que levei anos para construir, uma rotina que qualquer pessoa diria que estava no lugar. Mas o trabalho tinha ficado arrastado, e todo domingo à noite eu sentia um incômodo. Não era sofrimento. Era mais sutil que isso: a sensação de que aquilo, do jeito que estava, não estava mais certo para mim.

A pergunta que abriu um universo

Foi durante o meu primeiro processo de coaching que uma pergunta mudou tudo:

Se você tivesse que descrever um dia ideal na sua vida hoje, como ele seria? Nos detalhes.

Eu nunca tinha parado para responder isso. Vivia ocupada demais, no automático. E aquela pergunta simples fez algo que nenhum plano de vida ou de carreira tinha feito antes: abriu um universo de possibilidades.

Eu não sabia, na época, o que sei hoje. Que o nosso cérebro adora um caminho conhecido.

O cérebro adora um caminho conhecido

Ele é eficiente. Para economizar energia, prevê o futuro a partir do que você já viveu. É um mecanismo brilhante para quase tudo. O problema aparece quando você pensa em mudar: esse mesmo mecanismo te entrega na hora a lista do que não dá. Ele mostra o passado como se o possível se restringisse ao que você já conhece.

Não é defeito. É o cérebro fazendo o que faz de melhor: poupar esforço e garantir a sobrevivência repetindo o conhecido.

É por isso que frases como "é só assim que funciona" ou "nessa fase da vida não tem como" parecem verdades absolutas. Não são. São atalhos.

O que parece impossível não necessariamente é impossível. É um caminho que você ainda não conseguiu enxergar, porque está olhando pela mesma janela de sempre.

A troca do "como" pelo "e se"

A pergunta sobre o dia ideal me tirou daquela janela. Ela não cobrou um plano nem exigiu que eu soubesse a resposta. Só trocou o "como" pelo "e se". E essa troca muda mais do que parece.

Quando você se pergunta "e se", o cérebro sai do modo defesa e entra no modo exploração, que é onde você se permite testar possibilidades. Curiosidade e medo não convivem bem no mesmo instante. E é no modo exploração que o que parecia parede começa a virar porta.

Repare que isso não tem a ver com esforço. Você provavelmente já se esforça muito. O ponto é que esforço empurrando contra uma parede só cansa. A pergunta certa não pede mais força. Pede outra direção.

Um exercício para essa semana

  • Escolha uma uma mudança que você gostaria de fazer, há tempo demais.

  • Repare na pergunta que você costuma fazer sobre ela. Quase sempre é um "como" ou um "será que dá" (na verdade, quase sempre é uma afirmação de que não dá).

  • Troque por um "e se". E se tivesse outro jeito? E se não precisasse ser do jeito que você sempre imaginou?

  • Não force a resposta. Apenas observe o que aparece quando a pergunta abre, em vez de fechar.

Não é mágica. É só o seu cérebro saindo do automático por tempo suficiente para te mostrar o que estava ali o tempo todo.

O que realmente me prendia

Eu demorei para entender que o que me prendia não era falta de coragem, nem falta de um caminho. Era a certeza de que só existia um.

E talvez seja isso que esteja te segurando também.

E se a gente se permitisse ser curiosa de novo?


Laura Oliveira é médica de formação e Master coach. Depois de transições de carreira, uma mudança de país e a maternidade, trabalha com mulheres que já se conhecem mas ainda não conseguiram transformar esse conhecimento em movimento real. O processo dela começa pela vida, não pelo objetivo.


Dar o primeiro passo Se existe uma decisão que você descreve com perfeição na sua cabeça mas que ainda não saiu do lugar, talvez não falte mais informação. Talvez falte alguém para ajustar as lentes com você. É para isso que existe a Sessão de Clareza: uma conversa, sem compromisso e sem pressão, para olharmos juntas para o que está te segurando e qual seria o seu próximo passo possível. Se fizer sentido, fale comigo aqui:

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O tempo não é garantia. A gente sabe, mas finge que não.