Nem toda verdade que você carrega é sua
Algo significativo na minha vida mudou quando eu entendi que algumas “verdades absolutas” eram, na verdade, só opiniões.
Explico: eu sou carioca.
E cariocas gostam de praia. Ponto final.
Fim de semana? Praia.
Porque… todo mundo gosta de praia.
Essa era uma verdade pra mim.
Até que, já adulta, conversando com uma amiga no trabalho sobre o que ela faria no fim de semana, recebo a resposta:
-“Vou jogar tênis e depois ir a um restaurante. Eu não gosto de praia.”
Peraí. Paralisei.
Como assim?
Pode isso?
Pode ser carioca e não gostar de praia?
Pode.
E sabe como eu descobri isso? Tinha uma dessas “espécies raras” bem na minha frente.
Pode parecer bobo, mas a verdade é que eu passei a vida inteira indo à praia sem gostar tanto assim. Não porque eu amasse, mas porque nunca tinha parado para me perguntar se gostava de verdade.
Eu não odeio. Mas também não amo.
Provavelmente não seria minha primeira opção de lazer. Gosto de natureza, mas sou mais da montanha, da floresta. Gosto da praia para um mergulho, uma caminhada… mas ficar sentada o dia todo no sol, como a maioria das pessoas que eu conhecia fazia, nunca foi minha atividade preferida.
Prefiro ler um livro no sofá, com uma mantinha — e não sob o sol.
E é aqui que eu quero chegar.
Muito do que acreditamos como verdade nos chega assim.
Sem questionamento.
É natural. O ambiente nos molda. Nossos pais, nossa cultura, nossas experiências e referências vão nos apresentando “verdades” sobre o mundo. E, pouco a pouco, vamos instalando essas lentes pelas quais passamos a enxergar a vida.
O problema é que muitas dessas verdades são apenas opiniões.
E nem sempre nos favorecem.
São as chamadas crenças.
Elas vêm da cultura, da família, muitas vezes em forma de frases marcantes como:
“homem é tudo igual”,
“dinheiro não traz felicidade”,
“todo mundo quer levar vantagem”.
Algumas delas — as crenças limitantes — acabam nos travando, nos afastando do nosso potencial.
Do mesmo jeito que eu acreditava que, por ser carioca, era obrigada a gostar de praia, posso acreditar que, na minha idade, já sou velha demais para aprender francês.
Mas isso não é um fato.
É uma crença sobre capacidade.
Talvez seja mais difícil? Talvez.
Talvez eu precise de outros métodos? Pode ser.
O ponto é: quem não se acredita capaz, age de forma a provar isso todos os dias.
E então vem o pensamento conhecido: “Tá vendo? Eu sabia que não ia dar.”
E… não dá mesmo.
A boa notícia é que, justamente por não serem fatos, essas crenças podem ser mudadas.
Para isso, é preciso:
reconhecer que é uma crença
querer mudar
se responsabilizar por essa mudança
escolher novas lentes
e reforçar… até acreditar
Nem sempre é fácil, passamos por resistências e dificuldades em todas essas etapas, mas é possível.
A verdade é que vida muda menos quando o mundo muda, e muito mais quando você muda a forma de enxergá-la.
Com carinho,
Laura
