Você não precisa de mais conteúdo
Eu nunca pensei que fosse uma pessoa criativa.
Sempre muito prática e estudiosa, eu enxergava quase tudo na vida como tarefa a ser executada, de forma pragmática. A criatividade era então propriedade daquelas pessoas com outras profissões: designers, artistas, arquitetas… Eu juro que não sei de onde tirei isso, mas provavelmente foi só mais uma daquelas crenças que a gente absorve na vida sem se dar conta.
Mas um belo dia, tudo mudou…
Pra mim, mudou depois que tive meu filho, quando fiz meu primeiro curso de fotografia. Eu tinha ali um modelinho lindo, e depois veio outra bebezinha com a qual eu pude brincar com a fotografia e enfim entender que eu era, sim, criativa. Só não tinha me dado a chance de descobrir.
Criatividade não é genética, não é dom, sorte, muito menos magia. Ser criativo é ser autêntico. É a ponte entre o que já existe dentro de você e o que ganha forma no mundo.
E aqui eu percebi um padrão: a gente trava muito mais por excesso do que por falta. Quanto mais a gente consome as mesmas ideias que todo mundo consome, o tempo todo, mais difícil fica (pensar) produzir algo que seja nosso.
E isso vale pra quase tudo na vida adulta. A gente estuda mais, pesquisa mais, acumula mais informação achando que assim vai chegar na tal perfeição. Quanto mais acumula, mais se cobra, mais se compara… e mais parada fica.
Por isso a minha recomendação é simples e talvez contra-intuitiva: menos tela, mais vida. O que destrava não está em mais um conteúdo. Está na vida. E está em voltar a se permitir pausar, pensar, e corrigir o rumo pra direção desejada.
Algumas formas de sair do excesso e voltar pra si:
Ler um livro inteiro, sem pressa (lembra de deixar o celular bem longe nesse momento!)
Ouvir música prestando atenção de verdade (vale cantar alto)
Fazer uma atividade manual
Experimentar um esporte novo
Viajar, mesmo que perto
Conversar com gente diferente, frequentar um lugar diferente
Tudo isso alimenta você de um jeito que o feed nunca vai alimentar.
Esse assunto me veio após ouvir esse podcast, que recomendo muito.
Além disso, se você deseja estimular essa criatividade em si, quero te indicar um livro: Roube como um artista: 10 dicas sobre criatividade, em que Austin Kleon defende que não é preciso ser um gênio para ser criativo, basta ser autêntico, e usar seu próprio repertório como uma espécie de “colcha de retalhos".
Talvez pra você, a questão hoje não seja a (falta de) criatividade. Mas talvez exista outra história que você conta pra si mesma, a de que ainda não está pronta, ainda não é a hora, ainda falta algo.
Quase sempre, é só mais uma crença absorvida sem perceber. E ela se desfaz do mesmo jeito que a minha se desfez: vivendo, experimentando, se permitindo descobrir na prática quem você já é.
Com carinho,
Laura
