Você vai com tudo… e o fôlego acaba antes do fim
Meu filho corre muito rápido. Desde pequeno ele me ganha sem esforço (a diferença de velocidade entre nós é constrangedora, para ser honesta).
Mas ele tem um padrão que se repete: vai com tudo desde o primeiro metro. E o fôlego acaba antes do fim. Da pior forma: coração acelerado, falta de ar, aquela mistura de susto e frustração de não ter conseguido completar o que começou.
Esta semana é semana de esportes na escola. Hoje é dia de atletismo. No caminho, fui pensando alto com ele: uma corrida de 100 metros é completamente diferente de uma maratona de 42km. O que te leva ao fim não é a intensidade do começo. É o ritmo que você consegue sustentar.
Enquanto falava, fui me lembrando de mim mesma.
De quando era radical na perda de peso: passava fome porque queria resultado rápido, nunca sustentava, às vezes terminava com mais do que havia perdido. De quando deixava para estudar na véspera das provas na faculdade de medicina, virava noites, chegava no dia seguinte com o raciocínio comprometido. Da minha jornada para me exercitar com regularidade: cada vez que tentava do dia para a noite malhar todos os dias, quebrava. Mas quando fui aumentando o tempo e a frequência aos poucos, meu corpo foi se acostumando. Hoje sente falta quando não me movimento.
Em todos esses casos, o que me fez parar não foi falta de vontade. Foi o ritmo que não era o meu. Um começo que não respeitava quem eu era naquele momento. O que eu tinha de energia, o que era possível agora.
Sustentar não vem de mais esforço. Vem de um ritmo que é genuinamente seu.
O QUE ISSO TEM A VER COM VOCÊ
Penso nisso quando converso com mulheres que chegam sabendo exatamente o que querem mudar. Com consciência de sobra, com desejo real… e ainda assim não conseguem sair do lugar ou sustentar o movimento que começaram.
Quase sempre o problema não é falta de vontade. É que o caminho que elas tentaram seguir não foi construído a partir de quem elas são. Tinha o ritmo de outra pessoa, a energia de outra fase, a lógica de outra vida.
E um caminho que ignora quem você é quebra sempre. Não porque você falhou. Mas porque o ponto de partida estava errado.
A pergunta que fica não é: como faço para ter mais disciplina?
É: o caminho que estou tentando percorrer foi feito para mim?
Estou aqui rezando para que meu filho volte da escola hoje tendo usado o fôlego na medida certa.
Mãe sofre, viu?
Com carinho,
Laura
