Você já mudou. A sua vida acompanhou?
Desde pequeno, meu filho, no auge dos seus hiperfocos, me faz perguntas baseadas no tema do momento.
Já foi "qual seu dinossauro favorito?", passou por "se você fosse um animal, qual seria?", e mais recentemente chegou em territórios mais próximos do meu dia a dia: música favorita, filme favorito.
Crianças têm dessas. A gente está lá, vivendo, e de repente é convidada a pensar em algo que não acessava há muito tempo.
Da última vez, a pergunta alugou um apartamento na minha cabeça… e foi ela que me trouxe até aqui.
Quando a pergunta simples revela algo maior
Pensei, pensei, pensei. Música favorita foi impossível pra mim. Do último ano? Dos últimos 5? De todos os tempos?
Percebi como elas foram mudando ao longo da vida. Como já tive músicas que ouvi no repeat por meses (Beautiful Day, do U2, sabe?) que hoje ouço uma vez e… ok, já deu. Como alguns filmes que me marcaram profundamente hoje parecem pertencer a outra pessoa.
E fui entendendo por quê: porque essa outra pessoa existe. Sou eu… só que de antes.
O problema não é mudar. É não perceber que mudou.
A gente cresce, evolui, amadurece. Muda de gostos, de comportamento. No meu caso, as mudanças foram mais drásticas ainda: de país, de estilo de vida, maternidade, de profissão. Mas independente da escala, esse movimento acontece com todo mundo.
O problema é que muita gente cresce por dentro e esquece de atualizar a própria vida por fora.
Continua tomando as mesmas decisões, buscando as mesmas coisas, se cobrando pelos mesmos padrões da versão anterior de si mesma. Uma mulher que já foi, mas não é mais.
E aí a vida fica morna. Um desconforto difícil de perceber, porque nada está dramaticamente errado. É como usar sapatos de outra pessoa: não machuca o suficiente pra você parar, mas também não deixa você dançar.
Por que isso é mais comum do que parece
Esse é um dos maiores geradores de insatisfação que vejo nas mulheres com quem trabalho, e o mais sutil de todos, justamente porque a vida parece ok por fora.
Não é uma crise visível. Não é um colapso. É aquela sensação persistente de que algo não encaixa, sem conseguir nomear exatamente o quê.
Às vezes é a carreira que não faz mais sentido, mas você continua nela porque "sempre foi assim". Às vezes são relações, hábitos, ou a forma como você fala sobre si mesma, ainda usando a linguagem de quem você era há 10 anos.
A identidade muda. Os comportamentos ficam para trás. E esse gap entre as duas é onde mora a insatisfação.
A pergunta que muda tudo
Antes de buscar uma nova estratégia, um novo curso, uma nova rotina… vale parar e se perguntar:
Quem sou eu hoje? O que faz sentido pra essa versão de mim; não pra quem eu era, não pra quem os outros esperam que eu seja?
Assumir a autoria da própria vida começa por algo simples, mas que pouquíssimas pessoas fazem de verdade: se enxergar como você realmente é agora.
Não como você foi. Não como os outros te conhecem. Quem você é. Agora.
Com carinho,
Laura
