Se nada muda, nada muda

Ela não chegou dizendo que estava infeliz.

Na verdade, começou dizendo que estava “tudo bem”. Tinha um trabalho estável, era competente no que fazia, dava conta das responsabilidades. Do lado de fora, a vida parecia organizada.

Mas, conforme a conversa avançava, algo foi ficando mais claro: havia uma insatisfação que não vinha do excesso de trabalho, e sim da repetição. A sensação de estar sempre ocupada, mas raramente se sentindo realizada. De estar fazendo tudo “certo”, e ainda assim sentir que algo importante ficava para depois.

Em algum momento, ela disse: “Eu sinto que estou sempre no automático. Mas tenho medo de mudar.”

Essa frase me marcou.

Porque nós sabemos, em teoria, que se nada muda, nada muda. Todas nós conhecemos frase atribuída a Einstein: “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. E mesmo assim, seguimos exatamente onde estamos.

Não por falta de desejo. Mas por medo.

Medo do que pode acontecer se mudarmos.

Medo de não sermos suficientes.

Medo de decepcionar, de não dar conta, de tentar mais uma vez e se frustrar.

Medo, inclusive, de descobrir que queríamos algo diferente de tudo o que construímos até aqui.

E porque a zona de conforto tem esse poder, quase imperceptível. Ela não machuca o suficiente para nos fazer sair, mas também não alimenta. É conhecida, previsível, segura. E, aos poucos, vai nos afastando daquela sensação de estar vivas, presentes, orgulhosas de nós mesmas.

O que vejo, tanto nessa coachee quanto em tantas outras mulheres que acompanho, é que a mudança raramente começa com clareza total. Ela começa com um incômodo. Uma inquietação interna. Um “assim não dá mais”, mesmo quando tudo parece, externamente, em ordem.

Às vezes esse sentimento cresce devagar. Outras vezes, a vida acelera o processo. Mas quase sempre há um ponto em comum: chega um momento em que ignorar o desconforto custa mais caro do que enfrentar o medo.

Eu não sei o que hoje está pedindo mudança na sua vida.

Talvez seja o trabalho, talvez seja a forma como você tem vivido sua rotina, talvez seja só a sensação de estar distante de si mesma.

Mas gosto muito de uma frase da Michelle Obama:

“O sucesso não se mede pela aparência da sua vida para os outros.

Ele se mede pela forma como você se sente.”

Se algo aí dentro está pedindo movimento, escute.

Não precisa ser uma transformação completa.

Às vezes, é só a decisão de não continuar se deixando pra depois.

E se, em algum momento, você sentir que quer fazer esse caminho acompanhada, saiba que eu estou por aqui.

Com carinho,

Laura

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